Avalanche.
09/02/2011
— tristeza, vida
Eu estou profundamente triste. Não digo deprimido, porque uma pessoa com depressão nunca admite que assim o está. Até porque, estou me alimentando direitinho, me esforçando ao máximo para não faltar à academia e saindo para comprar pão e lapiseiras.
Mas, fazendo um retrospecto cuidadoso, posso ver que a bola de neve teve início há muito tempo. Mais precisamente, no ano de 2005.
17 anos. Essa era a minha idade. E zero. Essa era minha maturidade.
Revejo alguns episódios do passado, e me surpreendo com a burrada que fiz. Decidi fazer Direito porque queria ser admirado. Quis ter um emprego altamente remunerado. Quis status. Me apeguei, portanto, em esperanças palpáveis (era assim que eu julgava ser) e em coisas sem sentido. Criei a ilusão de estar trilhando um caminho bom.
Na verdade, eu estava numa estação de esqui em Aspen. Tropecei no topo do morro e fiz um naco de neve descer ladeira abaixo.
E nem me dei conta de que, nos momentos de distração durante as aulas de química, ficava era desenhando carros, projetando edifícios e escrevendo contos. Não me dei conta de que adorava aqueles programas de reforma, do tipo “Minha Casa, Sua Casa”, que passavam no canal People + Arts. Ignorei o fato de que nunca me interessei em abrir o Vade Mecum empoeirado da casa do meu avô, ou em dar uma bisbilhotada no Novo Código Civil de 2002, que meu padrinho trouxera para meu pai.
Apenas, e tão somente, desejei ser alguém admirado e rico.
E lá fui eu, aos 17 anos, assistir à primeira aula de Introdução ao Estudo do Direito.
O resto da bola de neve, você bem conhece.
Nesses anos todos, muitas coisas aconteceram. Em 2010, muitas coisas aconteceram.
E a bola de neve foi aumentando…
Teve ainda aquela presepada que fiz, no início de janeiro. Lembra? Então. Pensei que superaria isso. Mas nem. Excelente hora pro coração doer, não acha?
E então, recebo aquela mensagem de motivação, de uma mulher que nem conheço. Fiquei pensando nela (mensagem) todos os dias, desde então.
Tiro a seguinte conclusão:
Não estou em condições para continuar minha busca pelo emprego bem remunerado na Administração Pública. Não estou com vontade de arranjar um emprego qualquer por aí. Não estou nada satisfeito com a presente falta de dinheiro que me acomete. E, por fim, não estou com coragem para mudar. Mudar é assustador, como bem disse um estimadíssimo blogueiro.
Não sei.
Apenas não estou em condições.
Tentando me desvencilhar da enorme bola de neve que está em cima de mim.
