Tô tentando!
26/03/2011
— afetos
Parte I – Beijos.
Comecei, oficialmente, nessa semana, a temporada de caça de um novo namorado! Chega de ficar em casa, me revirando na cama, lembrando do ex e tendo dó de mim mesmo. Credo. Acho que cinco meses foi tempo suficiente para cicatrizar as feridas.
Comecei a conversar com um cara – que o chamarei de Jô – pelo Messenger. Dizia ele que pretendia mudar-se para cá. Trocamos algumas ideias. Alguns elogios, também. De início, não curti muito o seu papo. Não sei bem especificar o que me desagradou. Enfim. Adicionei-o no Facebook, conversamos um pouco mais e saí.
Três dias depois, pelo Facebook, Jô manda a seguinte mensagem:
“Olá gato, qnto tempo heim… hehe Estou passando por Mgá, ficarei o dia aqui, se estiver afim de bater um papo e tals me avise
meu numero eh (XX) XXXX-XXXX Abração!!!”
Resolvi conhecer Jô. Começou a troca de mensagens por celular.
“Oi! Aqui é o SG. Estou livre durante a tarde. Afim de comer algo?”
“Haha! Estou fazendo isso agora. Se você vier rápido, te espero pra comer comigo um Whopper no Burger King do Catuaí… hehe”.
“Ih… Estou sem carro, agora… Pode aproveitar o seu Whopper…”
“Humm, que pena… assim que eu terminar aqui, te busco e vamos tomar um sorvete, então!!
Me manda um endereço para eu colocar no GPS. Abraço!”
Rá. Eu, dar um endereço para ele vir me buscar? Assim, do nada? Nem fudendo.
“Então, que tal nos encontrarmos no Shopping Maringá Park? Me avise quando estiver saindo que fico te esperando na praça de alimentação, no quarto andar”.
“Claro, está perfeito para mim… te dou um toque quando sair. Até logo!”
Sim. Assim seria perfeito. É assim que se deve ter um primeiro encontro: cada um por si, num lugar público e movimentado. Sem essa de entrar no carro de alguém, sem saber quem é o motorista.
Fui a pé. Bem devagar. Entrei no shopping. Fui subindo as escadas rolantes. Sentindo o frescor do ar-condicionado. Até que, enfim, cheguei à praça de alimentação. E, no canto direito da bancada que fica para o grande vitrô, com vista para o Parque do Ingá, lá estava ele, de bermuda xadrez e boné.
Começou, finalmente, a conversa ao vivo.
Jô era bem másculo. Barba por fazer. Corpo com volumes para pegar. Rosto bonito. Sorriso bonito. Sobrancelhas bem feitas. Seu papo era agradável, contrariando a má impressão que tive pelo Messenger. Confesso. 20 minutos de conversa depois, eu estava muito afim de dar uns beijos nele. Mas ficamos por um bom tempo só papeando, entre um gole e outro de suco de laranja do Mc Donald’s. Coisas comuns: família, pais, amigos, trabalho, estudos…
Sucos acabados, e papo acabando, hora de criar um pretexto para dar continuidade aos fatos.
- Estou com vontade de ir ao banheiro… – disse Jô, levantando-se.
- Ah. Também estou. Vamos lá. – eu disse. Sem segundas intenções, que fique claro!
Esvaziadas as bexigas, lavadas as mãos, no caminho para a escada rolante, eu, com as mãos nos bolsos, olhei para Jô:
- E então? O que você está afim de fazer agora?
Jô abre um sorriso e solta:
- Haha! Você não pode fazer essas perguntas… senão, eu tenho que responder!
- Hahaha! Ué? Então, responda!
- Tá. Eu tô muito afim de te beijar…
- Hum… viu só? Não doeu nada. Vamos então pensar em uma solução para isso…
Descemos para o subsolo. Entramos no carro. Ele ligou o motor, para deixar o ar-condicionado ligado. Ligou o som.
E matei a vontade de beijá-lo.
