Tô tentando!
28/03/2011
— afetos
Parte III – A pipa do vovô não sobe mais.
Confirmei que as sexólogas realmente entendem de sexo. Quando a mente não está relaxada, não adianta. O amigo lá de baixo não sobe. Até pensei que, quando realmente iniciássemos, eu iria relaxar e começar a gostar. No entanto… tentamos várias posições. Nada deu certo. Jô parecia estar gostando mais. E eu, ali, tenso. E murcho.
- Não consigo… vamos parar?
- Uhum… tudo bem…
- Me desculpa. Mas é que não consigo relaxar. Tudo tem acontecido muito rápido. Eu sei que fui eu que aceitei o convite. Mas… não sei. Apenas não rola…
- Tudo bem, cara. Todo mundo… brocha. Somos homens, afinal!
- Aiai. É complicado isso. Eu estava, realmente, afim de você. Mas é que eu travo, quando as coisas acontecem assim, tão rápido. Nos conhecemos ainda hoje, e olha onde estamos: pelados, abraçados numa cama de motel…
- Olha, pra ser sincero contigo… eu nem vim pra cá com essa intenção.
- Como assim? E o que é que as pessoas fazem num motel?
- Sim, claro. Eu sei. Óbvio que não queria apenas conversar com você. Mas aqui seria um lugar tranquilo e seguro pra gente ficar se beijando, tal, além de conversarmos. Melhor do que ficar no carro, no meio da rua ou num estacionamento por aí, não?
- Hum… mas agora, isso não importa… eu quis, mesmo, transar contigo.
- Só que… você não sentiu tesão por mim… mas, tudo bem. Normal, isso.
É verdade. Não senti. Mas não porque ele não era atraente. Muito pelo contrário.
- Eu sou complicado com essas coisas. Não funciono assim, repentinamente. Enfim. Tudo foi rápido demais…
- Fica tranquilo… essas coisas acontecem. Embora não tenhamos gozado, gostei bastante de ficar contigo.
Tudo isso resume-se no seguinte: para mim, o tesão começa pela conexão, e não pela aparência física isolada.
Jô me levou pra casa. Sempre carinhoso. Com a mão direita sobre a minha coxa esquerda. Fiquei afagando o seu antebraço. Mas o clima não estava tão leve.
Despedi-me. Ele voltou para sua cidade.
Dormi, enfim, mais ou menos tranquilo. Fiz o que quis fazer. E não fiz o que não quis fazer (ou melhor, o que não deu para ser feito). Deixei que tudo ocorresse naturalmente. Passei, de maneira geral, momentos bons. E que, felizmente deixaram aquele gostinho de quero mais, apesar dos apesares.
Estou muito mais cauteloso, desta vez. E quanto ao relaxamento, sei que não dá para forçá-lo. Posso ter agido por impulso. Esse é um dos meus vários defeitos. Mas não me arrependo.
Vamos ver o que acontece.
