Há Exatos 2 Anos: Casual, formal.
17/06/2012
— afetos
Depois do fim repentino do meu namoro, resolvi dar um tempo em novos relacionamentos sérios. Decidi experimentar o que é o tal do “sexo casual”. Dos amassos sem compromisso. De conhecer alguém, sem conhecer. Deixar de dividir, e passar a subtrair.
Entrei na internet, e conheci um carinha bacana. De outra cidade, passaria pela minha em função de um congresso, ficaria por aqui por três dias, e depois, iria embora. Conversamos um pouco pelo Windows Live, trocamos algumas fotos, alguns galanteios, e resolvemos nos ver.
Fomos a um shopping. Almoçamos na praça de alimentação e depois pegamos um cineminha, para ver “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo”. Não lembro do filme. Afinal, logo que nos sentamos nas poltronas, começamos a nos acariciar… e o enredo foi deixado de lado. Confesso que fui muito lascivo e sem vergonha. “Ah, f(*!@#@-se” – tinha pensado. Dei-lhe um beijo na boca. Foi muito estranho. Não tinha o mesmo sabor. Mas curti.
Saímos do shopping e fomos dar uma caminhada pelo centro. Os rumos da conversa me levavam para um quarto de hotel. Mas meus pensamentos me repeliam dessa ideia. Embora tenha tomado a iniciativa, e curtido acariciar e beijar um desconhecido, a ideia de transar com alguém, de maneira tão sorrateira, me aterrorizava.
Conversamos mais. Esclareci que era minha primeira experiência “casual”. Sentamo-nos num ponto de ônibus e conversamos mais ainda. Pude conhecê-lo mais. Pude fazê-lo conhecer a mim, um pouco mais também. E assim nosso primeiro encontro terminou, com trocas recíprocas de informações de personalidade.
Senti-me um otário. Até certo ponto, comportei-me como um homem pegador, desapegado de firulas e pieguices. Mas, após algumas horas de intimidade, revelei-me extremamente emotivo, pensativo e cauteloso. Descaracterizei toda a “casualidade” do encontro. Queria mais um amigo do que um ficante. Na verdade, deixei que minha novíssima máscara se desfarelace.
Não consigo ser casual. Por mais breve que seja qualquer contato com um homem, não quero que seja superficial. Gosto de compartilhar ideias, bobagens, saber da vida do outro, contar a minha própria (nos limites do ponderável e do possível, devido às circunstâncias). Gosto de trocar carícias, beijos e abraços. Mesmo que a pessoa não signifique um amor eterno. Enfim, gosto de afeição, e respeito, acima de tudo.
No fim das contas, percebi que meu mais novo amigo era bacana de verdade. Decidi ir ao seu quarto de hotel. Nos abraçamos, beijamos, acariciamos. Foi um prazer isolado, seguro, pontual, bem definido, limitado. Mas suficiente. Conversamos bastante. Assistimos juntos, nus, debaixo do edredom, ao show de abertura da Copa do Mundo.
Fui embora aliviado e contente. Não me senti superficial, muito menos sujo. Sentia-me como se tivesse ido à uma festa informal, onde me diverti e fui educado, bem como tratado muito bem pelos anfitriões e demais convidados. A festa acabou, cada um se despede, e cada um toma o rumo de casa.
Por mais casual que seja, prefiro as formalidades de sempre: educação, respeito, afeto, carinho. Não me apaixonei, muito menos senti amor; não era uma festa a rigor, mas também, não fui mulambento. Apenas segui o que meu instinto dizia. Passei horas agradáveis e substanciais, que só trouxeram boas coisas e boas pequenas lembranças. Voltei pra casa, convicto de que “sexo casual”, pra mim, na verdade é “sexo formal”.
O amor? Ah, o amor… aí já é outra história…
Texto originalmente publicado em 17 de junho de 2010.
