Há Exatos 2 Anos: Intruso na própria casa
01/07/2012
— reflexoes
Por mais que eu tente, cada vez mais, torna-se insuportável morar na casa dos meus pais.
Me sinto um intruso em “minha” própria casa. Não posso fazer o que acho certo, se meus pais acham que é errado. Não posso sair pra namorar, sem que eu seja bombardeado por olhares silenciosos e pontiagudos. E o silêncio impera, das 07:00 da manhã até meia-noite. Assim como em “Glue” (filme argentino de 2006), é possível ser órfão, mesmo tendo pai e mãe, quando o filho nada tem em comum com os dois.
Não posso ser tão cruel e ingrato, para me considerar um órfão. Já fui muito amado por meus pais. Fui alimentado, abrigado, vestido, remediado, acalentado… bons tempos, aqueles. Mas as coisas mudaram, desde que eles ficaram sabendo sobre a minha homossexualidade. Digamos que… tenho bons curadores…
Também sei que a culpa não é deles. Saber que o filho é gay é muito sofrível, difícil, até indigesto. Porém, poxa, continuo o mesmo filho de sempre! Eu não mudei! Sempre fui assim, e sempre serei assim! Não escolhi gostar de homens. Fui escolhido para gostar de homens!
Enfim. Só sei que vivo num grande palco de teatro, atuando um personagem que finge estar de bem com os pais, estes, personagens que fingem estar de bem com o filho gay. Aliás, fingem que o filho não é gay.
Pai. Mãe. Amo vocês de verdade. Mas não aguento mais ser apenas mais uma conta mensal para pagar.
Texto originalmente publicado em 01 de julho de 2010.

