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Gay. Post por post.

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Há Exatos 2 Anos: Confissão.

10/09/2012

Relutei muito para admitir isso, com o receio de perder meu estado de espírito. Mas isso me transborda de uma maneira inevitável.

Estou feliz.

Texto originalmente publicado em 10 de Setembro de 2010.

Há Exatos 2 Anos: Depois da calmaria, vem a tempestade.

28/08/2012

“Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranqüilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas …adiadas, encontros transferidos…”

Caio Fernando Abreu

(Li essa citação no Voluntas, do talentoso blogueiro Arthur. Vi que se encaixava muito bem ao que tenho vivenciado nos últimos tempos.)

Depois de momentos turbulentos, muito custosamente, alcancei a calmaria. Consegui pensar sobre a minha vida e, assim, acalmar o meu espírito. Enfraqueci os contornos dos maus momentos, e realcei o contraste dos bons. Pus meus afazeres em dia. Preenchi corretamente o meu tempo vago.

Entretanto, ontem, nuvens escuras escureceram a sala. Liguei o computador. Abri o e-mail. E lá estava. Uma mensagem do meu ex. Já falei sobre isso, no post anterior. O negócio foi tão sério, que merece mais um.

Uma possibilidade de recomeçar o namoro surgiu. E minha tranquilidade solitária se desfez. Estava me dando bem com a solidão, com a falta de amassos e de sexo. Posterguei minhas incursões às baladas, às ficadas e aos encontros. Como já disse no post anterior, o que eu mais queria era sossego. Mas aí, a bendita mensagem eletrônica apareceu na minha caixa de entrada.

A primeira coisa que eu pensei foi: “eu quero”. Não consegui tirar o rapaz da minha cabeça. Simplesmente – e sorrateiramente – penso nele, todos os dias. Seja quando lembro um momento gostoso, seja quando recordo das razões da separação. Quando ouço uma música. Quando vejo um sujeito alto, forte e de cabelos negros curtos, malhando na academia. Quando sinto o cheiro de Clear Men. Quando uso meias comuns dobradas na frente, para se parecerem com meias invisíveis. Tudo. Absolutamente tudo, me traz aqueles olhos castanhos lindos e aquela boca deliciosa, para perto de mim.

Parei. Fechei os olhos. Respirei. A segunda coisa que pensei foi: “por que eu quero?” Por escolha, resolvi dar um tempo em aventuras afetivas. Tive (e tenho) medo de quebrar a cara novamente. Apenas protegi a minha face, com um grande capacete, que me impediu – e impede – de sair de casa sábado à noite. E isso tem me afetado. Ao mesmo tempo que optei por estar sozinho, a vontade de estar com alguém sempre persistiu. E considerar a possibilidade de voltar com alguém que ainda gosto me pareceu muito tentador. Mas igualmente perigoso para a cara. Um cabo-de-guerra ferrenho está rolando aqui dentro, horas pendendo para o “sim”, horas pendendo para o “não”. Será que estou cedendo à perigosa tentação de acabar o sofrimento com uma solução fácil?

A terceira coisa que pensei foi: “por que ele quer?” Será que está tão desesperado em ficar com alguém, que só lhe havia restado o ex-namorado para recorrer? Será que ele reviu as suas atitudes? Será que ele mudou? Será que ele ainda me ama? De verdade? O que aconteceu nesses três meses, que o fez mudar de ideia?

Então, a última coisa em que pensei, foi: “por que não?” Afinal, todo mundo conhece aquela história de que “todos merecem uma segunda chance”, inclusive eu. O máximo que pode acontecer é a mesma decepção anterior, isto é, sinal de que ele não mudou um tiquinho sequer. E nem eu. Todavia, nessa segunda chance, haverá a oportunidade de tudo ser reparado e refeito. E, convenhamos, quantas vezes nos pegamos numa situação em que dizemos: “se eu tivesse a chance de voltar atrás e fazer de novo…”

Resolvi me permitir a vivenciar uma “nova” possibilidade. Estou seguro de que, desta vez, as coisas possam dar mais certo. Claro que não entrarei na guerra sem dispositivos de proteção e escape. Vou primeiro conversar bastante com meu “ex-possível-não-ex”, saber o que aconteceu nesses últimos meses, o que tem pensado, o que tem feito. Vou querer saber a resposta do terceiro pensamento. Quero também ver se ele mudou. Posso parecer ingênuo e muito esperançoso de que tudo estará bem e perfeito. Mas, pelo contrário, estou muito lúcido quanto às prováveis decepções que aparecerem.

Liguei para ele.

É apenas uma segunda chance. A última. Sei que corro um grande risco com essa decisão. Sei que posso ficar a deriva, nessa tempestade. Mas faço isso porque eu sei que, mesmo com dificuldade, conseguirei, novamente, alcançar a calmaria.

De fato, amor é um vício irreparável.

Texto originalmente publicado em 28 de Agosto de 2010.

Há Exatos 2 Anos: Casual, formal.

17/06/2012 3 Comments

Depois do fim repentino do meu namoro, resolvi dar um tempo em novos relacionamentos sérios. Decidi experimentar o que é o tal do “sexo casual”. Dos amassos sem compromisso. De conhecer alguém, sem conhecer. Deixar de dividir, e passar a subtrair.

Entrei na internet, e conheci um carinha bacana. De outra cidade, passaria pela minha em função de um congresso, ficaria por aqui por três dias, e depois, iria embora. Conversamos um pouco pelo Windows Live, trocamos algumas fotos, alguns galanteios, e resolvemos nos ver.

Fomos a um shopping. Almoçamos na praça de alimentação e depois pegamos um cineminha, para ver “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo”. Não lembro do filme. Afinal, logo que nos sentamos nas poltronas, começamos a nos acariciar… e o enredo foi deixado de lado. Confesso que fui muito lascivo e sem vergonha. “Ah, f(*!@#@-se” – tinha pensado. Dei-lhe um beijo na boca. Foi muito estranho. Não tinha o mesmo sabor. Mas curti.

Saímos do shopping e fomos dar uma caminhada pelo centro. Os rumos da conversa me levavam para um quarto de hotel. Mas meus pensamentos me repeliam dessa ideia. Embora tenha tomado a iniciativa, e curtido acariciar e beijar um desconhecido, a ideia de transar com alguém, de maneira tão sorrateira, me aterrorizava.

Conversamos mais. Esclareci que era minha primeira experiência “casual”. Sentamo-nos num ponto de ônibus e conversamos mais ainda. Pude conhecê-lo mais. Pude fazê-lo conhecer a mim, um pouco mais também. E assim nosso primeiro encontro terminou, com trocas recíprocas de informações de personalidade.

Senti-me um otário. Até certo ponto, comportei-me como um homem pegador, desapegado de firulas e pieguices. Mas, após algumas horas de intimidade, revelei-me extremamente emotivo, pensativo e cauteloso. Descaracterizei toda a “casualidade” do encontro. Queria mais um amigo do que um ficante. Na verdade, deixei que minha novíssima máscara se desfarelace.

Não consigo ser casual. Por mais breve que seja qualquer contato com um homem, não quero que seja superficial. Gosto de compartilhar ideias, bobagens, saber da vida do outro, contar a minha própria (nos limites do ponderável e do possível, devido às circunstâncias). Gosto de trocar carícias, beijos e abraços. Mesmo que a pessoa não signifique um amor eterno. Enfim, gosto de afeição, e respeito, acima de tudo.

No fim das contas, percebi que meu mais novo amigo era bacana de verdade. Decidi ir ao seu quarto de hotel. Nos abraçamos, beijamos, acariciamos. Foi um prazer isolado, seguro, pontual, bem definido, limitado. Mas suficiente. Conversamos bastante. Assistimos juntos, nus, debaixo do edredom, ao show de abertura da Copa do Mundo.

Fui embora aliviado e contente. Não me senti superficial, muito menos sujo. Sentia-me como se tivesse ido à uma festa informal, onde me diverti e fui educado, bem como tratado muito bem pelos anfitriões e demais convidados. A festa acabou, cada um se despede, e cada um toma o rumo de casa.

Por mais casual que seja, prefiro as formalidades de sempre: educação, respeito, afeto, carinho. Não me apaixonei, muito menos senti amor; não era uma festa a rigor, mas também, não fui mulambento. Apenas segui o que meu instinto dizia. Passei horas agradáveis e substanciais, que só trouxeram boas coisas e boas pequenas lembranças. Voltei pra casa, convicto de que “sexo casual”, pra mim, na verdade é “sexo formal”.

O amor? Ah, o amor… aí já é outra história…

Texto originalmente publicado em 17 de junho de 2010.

Problema.

31/08/2011 4 Comments

Agendei a publicação deste post. Não estranhe a incompatibilidade temporal entre o momento da sua leitura, e o tempo dos fatos aqui apresentados.

Está quase chegando a hora do almoço. Após ter dado um gás aqui nos afazeres, encontro-me em um gap de tranquilidade, enquanto aguardo que minhas solicitações feitas sejam respondidas.

Neste exato instante, estou sentado à minha mesa, defronte o computador, tendo como quadro decorativo a imagem de prédios metálicos e envidraçados, na janela recortada por horizontais filetes da persiana entreaberta. O dia hoje está frio, cinza e úmido, e começou mal, como consequência do término igualmente desagradável do dia anterior.

Sim. Estou sendo dramático. E tenho consciência de que dimensiono os problemas em escalas por vezes desproporcionais. Mas, ao lado disso, também sou incapaz de disfarçar o que sinto. Apenas direciono para fora as sensações que surgem, sem me preocupar com a real origem delas. Até porque muito do que sinto é sintetizado por aspectos meus que eu mesmo ainda não sei direito. Entende? Aposto que não.

O meu problema é que eu sou extremamente meticuloso. Percebo e tiro conclusões partindo de pequenos gestos. Cobro muito de mim, e cobro muito dos outros também. Ontem à noite, tive uma conversa formidável e muito enriquecedora com certa pessoa, mas, a partir de certo momento, o clima esfriou porque notei um suposto descompromisso nas palavras digitadas. Não tive como acreditar, piamente, na procedência das intenções demonstradas, tendo contato com frases visivelmente elaboradas às pressas e na concorrência com outros motivos de ocupação.

Sim. Estou sendo exigente. Chato, para dizer melhor. E não me orgulho disso. Queria mesmo, poder relevar tantas coisas, e viver mais relaxado, mais despreocupado, mais feliz. Porém, não consigo. Eu sou assim. Sempre fui assim. Fui criado assim. Serei assim.

Eu penso demais. Esse é o problema.

Tô tentando!

28/03/2011 12 Comments

Parte III – A pipa do vovô não sobe mais.

Confirmei que as sexólogas realmente entendem de sexo. Quando a mente não está relaxada, não adianta. O amigo lá de baixo não sobe. Até pensei que, quando realmente iniciássemos, eu iria relaxar e começar a gostar. No entanto… tentamos várias posições. Nada deu certo. Jô parecia estar gostando mais. E eu, ali, tenso. E murcho.

- Não consigo… vamos parar?

- Uhum… tudo bem…

- Me desculpa. Mas é que não consigo relaxar. Tudo tem acontecido muito rápido. Eu sei que fui eu que aceitei o convite. Mas… não sei. Apenas não rola…

- Tudo bem, cara. Todo mundo… brocha. Somos homens, afinal!

- Aiai. É complicado isso. Eu estava, realmente, afim de você. Mas é que eu travo, quando as coisas acontecem assim, tão rápido. Nos conhecemos ainda hoje, e olha onde estamos: pelados, abraçados numa cama de motel…

- Olha, pra ser sincero contigo… eu nem vim pra cá com essa intenção.

- Como assim? E o que é que as pessoas fazem num motel?

- Sim, claro. Eu sei. Óbvio que não queria apenas conversar com você. Mas aqui seria um lugar tranquilo e seguro pra gente ficar se beijando, tal, além de conversarmos. Melhor do que ficar no carro, no meio da rua ou num estacionamento por aí, não?

- Hum… mas agora, isso não importa… eu quis, mesmo, transar contigo.

- Só que… você não sentiu tesão por mim… mas, tudo bem. Normal, isso.

É verdade. Não senti. Mas não porque ele não era atraente. Muito pelo contrário.

- Eu sou complicado com essas coisas. Não funciono assim, repentinamente. Enfim. Tudo foi rápido demais…

- Fica tranquilo… essas coisas acontecem. Embora não tenhamos gozado, gostei bastante de ficar contigo.

Tudo isso resume-se no seguinte: para mim, o tesão começa pela conexão, e não pela aparência física isolada.

Jô me levou pra casa. Sempre carinhoso. Com a mão direita sobre a minha coxa esquerda. Fiquei afagando o seu antebraço. Mas o clima não estava tão leve.

Despedi-me. Ele voltou para sua cidade.

Dormi, enfim, mais ou menos tranquilo. Fiz o que quis fazer. E não fiz o que não quis fazer (ou melhor, o que não deu para ser feito). Deixei que tudo ocorresse naturalmente. Passei, de maneira geral, momentos bons. E que, felizmente deixaram aquele gostinho de quero mais, apesar dos apesares.

Estou muito mais cauteloso, desta vez. E quanto ao relaxamento, sei que não dá para forçá-lo. Posso ter agido por impulso. Esse é um dos meus vários defeitos. Mas não me arrependo.

Vamos ver o que acontece.

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